A Importância do Simbólico

O Simbólico Não É Bobagem: A Importância do Simbólico nos Banhos de Ervas e no Que as Pessoas Realmente Pensam Sobre Eles

 

No Mercadinho Mãos à Terra, em Dois Portos, fizemos uma pesquisa. Paramos as pessoas na nossa banca, explicamos o que vendemos e perguntamos o que achavam. Algumas respostas depois, tínhamos um retrato honesto de como o simbólico vive – ou não vive – no cotidiano de quem passou por ali.

O resultado surpreendeu. Nove em cada dez pessoas sentiram curiosidade ao ver o banho de ervas. Não estranheza, não julgamento: curiosidade. E sete em cada dez afirmaram praticar alguma forma de espiritualidade – meditação, conexão com a natureza, rituais em casa, um altar pessoal.

Então por que, ainda assim, tantas pessoas hesitam diante de um banho de ervas?

 

O Problema Não É o Produto.

Uma das respondentes, de Torres Vedras, foi direta: levaria o banho “talvez – a maioria dos meus amigos não acredita em superstições”. Outra, também de Torres Vedras, respondeu que o produto seria para “uma pessoa esotérica”. E uma terceira, do Alentejo, disse que gostaria de levar “se o cheiro fosse bom”.

Três respostas. Três portas de entrada completamente diferentes – e todas elas honestas.

O que essas respostas revelam não é rejeição. É distância. Uma distância entre o que o simbólico é e o que as pessoas acham que é.

Porque o simbólico foi colonizado por duas narrativas que o aprisionaram: a da religião organizada, que o colocou dentro de templos e longe do cotidiano, e a do ceticismo moderno, que o reduziu a superstição. Entre essas duas narrativas, perdemos algo essencial: a nossa relação orgânica com o ritual, com a planta, com a água, com a intenção.

 

Somos Animais Simbólicos – Quer Queiramos ou Não

Antes de ser um animal racional, o ser humano é um animal symbolicum. Foi o filósofo Ernst Cassirer quem nomeou isso, mas a ideia atravessa milênios. Língua, mito, arte, ritual: são formas simbólicas de habitar o mundo. Não são ornamentos da cultura. São a própria cultura.

Quando os povos indígenas realizavam rituais com ervas, quando plantavam com atenção ao ciclo da lua, quando conversavam com a terra antes de colher – não estavam fazendo isso por ignorância. Estavam exercendo uma forma de relacionalidade com o mundo que nós, na pressa do mundo moderno, perdemos quase completamente. Uma relação em que a terra não é recurso, mas sujeito. Em que uma planta não é apenas matéria, mas portadora de sentido.

Uma respondente de 47 anos, da Aldeia Galega da Merceana, resumiu de forma precisa o que é a simbologia: “memória e força”. Outra, de Lisboa, foi ainda mais longe: “atalhos para o saber divino”. E uma terceira definiu os símbolos como “linguagem ancestral que comunica além das palavras – conectam, direcionam, empoderam, fortalecem intenções.”

Essas mulheres não estudaram Cassirer. Mas sabem, no corpo, o que ele quis dizer.

 

O Que Acontece Quando Tomamos um Banho de Ervas

Os nossos Conjuntos de Banho de Ervas – o Banho da Prosperidade, o Banho de Relaxamento & Equilíbrio, o Banho de Renovação e Florescimento – não foram criados como produto decorativo. Foram criados com intenção. E é exatamente aí que começa a diferença.

Quando você prepara um banho com casca de laranja, canela, louro, alecrim, anis-estrelado, cravo e açafrão – cada um com uma vibração, uma memória, uma história ancestral de uso -, algo acontece antes mesmo de a água tocar o seu corpo. Você para. Você escolhe. Você prepara. Você nomeia o que deseja: prosperidade, equilíbrio, renovação.

Uma respondente de Torres Vedras, de 51 anos, disse algo que ficou: “Há mais de 20 anos faço esse ritual na minha casa com toda a família.” Outro, de 47 anos, descreveu o banho como “um momento de autocuidado – levar pessoas a agradecer, a sonhar”.

Isso não é superstição. É prática de presença.

A neurociência confirma: rituais – independentemente de crença religiosa – reduzem a ansiedade, aumentam o senso de agência e promovem coerência interna. O cérebro responde à estrutura de uma ação intencional. Não é placebo no sentido depreciativo: é o corpo reconhecendo que algo importante está acontecendo.

E Carl Jung diria que o que está acontecendo é ainda mais profundo: o símbolo da purificação pela água existe em praticamente todas as culturas humanas porque acessa camadas da psique que o pensamento racional não alcança. O batismo, o mikve, os banhos dos Orixás – formas diferentes de acessar o mesmo arquivo ancestral que habita em cada um de nós.

Tomar um banho de ervas com intenção não é bobagem. É falar uma língua que o seu corpo inteiro entende.

Espiritualidade Não É Religião

A confusão mais comum – e que mais afasta pessoas de práticas como essas – é tratar espiritualidade e religião como sinônimos. São coisas diferentes.

Uma respondente de Lisboa disse com clareza o que muitas sentem mas não sabem nomear: “Religião é uma coisa escrita por homens, não a mensagem do Universo.” Outra, de 47 anos, foi ainda mais direta ao ser perguntada se palavras como misticismo e esoterismo a incomodavam: “Só religião hoje é muito ligante – é mal utilizada.”

A espiritualidade que praticamos na Quinta Figaradeiro é outra coisa. Ela é imanente – está no corpo, nas plantas, na água, na terra que cultivamos. Não exige mediação institucional. Não exige que você acredite em nada específico. Exige apenas que você esteja presente.

Uma respondente de 51 anos, de Labrugeira, resumiu assim a sua prática espiritual: “Gosto de me sentir em harmonia com a natureza e deixar fluir a sua energia.” Simples assim. Sem templo. Sem autoridade. Apenas ela e a natureza.

E presença, essa sim, é revolucionária num mundo estruturado para nos manter dispersos.

 

“Vendem Magia e Encanto”

Quando perguntamos às pessoas o que achavam que a Quinta Figaradeiro fazia, esperávamos respostas sobre produtos. Recebemos algo mais interessante.

“Orgânico e natural – vendem magia e encanto”, disse uma respondente de Vila Verde dos Francos. “Vendem produtos feitos com qualidade e com amor e alma”, disse outra, da Aldeia Galega da Merceana. Uma terceira descreveu: “Sustentabilidade, promoção do bem-estar – vendem magia da boa.”

Não foram as palavras que usaríamos para descrever o que fazemos. Foram as palavras que o nosso trabalho evoca – e isso é mais verdadeiro do que qualquer slogan que possamos escrever.

 

Por Que o Simbólico Importa Hoje

A última pergunta da nossa pesquisa era direta: as pessoas ainda precisam de símbolos? Oito em cada dez disseram que sim. Os motivos variaram – “para superar dificuldades”, “para lembrar o que é importante”, “para acreditar no invisível, para se sentirem mais seguras”, “para se sentir menos sozinhas” – mas a direção era a mesma.

Num mundo que nos oferece velocidade e nos retira profundidade, o simbólico é um ato de resistência. Quando você colhe uma erva com atenção, quando escolhe um banho que corresponde ao que você está vivendo, quando acende uma vela com intenção – você está praticando uma pedagogia da presença. Está educando o seu sistema de atenção para perceber que cada momento carrega significado.

Isso não é uma fuga da realidade. É um aprofundamento nela.

E num mundo que lucra com a nossa distração, com a nossa desconexão do corpo e da terra, escolher o simbólico é um ato de resistência.

Aqui na Quinta Figaradeiro, entre as figueiras e a terra da Serra de Montejunto, acreditamos que cozinhar, plantar e banhar-se com intenção são gestos da mesma natureza: gestos de quem se recusa a viver no automático.

Se você sente que algo em você quer parar, se reconectar, florescer – talvez seja a hora de preparar um banho.

Viemos da terra. E a terra ainda nos fala — se soubermos ouvir.

Conheça os nossos Conjuntos de Banho de Ervas.

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